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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Marc Chagall (1887-1985)






Marc Chagall foi um dos maiores vultos das artes plásticas do século XX, na europa e no mundo. Sua produção artística expressa seus múltiplos talentos; trabalhou com pinturas, ilustração de livros, cerâmica, cenários, mosaicos e vitrais.



Chagall: a infância e a família
Em 7 de julho de 1887, numa pequena cidade russa, Vitebsk, nasce Marc Chagall, numa família judia muito religiosa e modesta. Seu pai trabalhava como peixeiro no mercado local, seu avó, costumava tocar violino no sótão... uma família numerosa com dez irmãos, todos vivendo numa casa simples de madeira, com animais soltos no quintal. Esse foi o cenário para a infância do pintor, um menino que desde cedo demonstrava grande sensibilidade diante das coisas simples que cercavam seu cotidiano e que lhe causavam espanto e comoção, expressos em poemas e desenhos. Sua mãe, uma mulher de olhar atento e grande sensibilidade, ainda que sem instrução alguma, percebeu no filho a inclinação diferenciada para o reconhecimento e expressão do belo. E foi pela sua força e insistência que, "conseguiu convencer o diretor de uma escola que normalmente não aceitava judeus a receber o menino."


Chagall: desafios e oportunidades
Entrar para a escola em busca de uma educação formal e estudar no atelier de Jehuda Pen, artista local, foram os primeiros desafios de muitos outros que o artista enfrentou ao longo de sua vida para exercer e manifestar seus talentos. Com a ajuda de seu patrono, o deputado Vinaver, Chagall estudou em São Petersburgo por quase três anos, sendo encaminhado em 1910 à Paris para que lá desenvolvesse sua arte e estilo. Sobre sua chegada à Paris, Chagall posteriormente comentou:

"me senti como que levado pelo meu destino (...) com todos os meus sonhos (...) nasci pela segunda vez em Paris. Suas ruas, seus mercados eram as academias de minha alma de pintor. Vivia imerso num banho colorido. Estava entusiasmado. Sabia que podia trabalhar nessa luz e nela vi que meus sonhos se corporificariam. Tudo me agradava".

Expôs em Berlim, trabalhou na Rússia revolucionária após 1917 e durante a segunda Guerra Mundial, buscou exílio nos Estados Unidos, aceitando o convite do Museu de Arte Moderna de Nova York. Posteriormente esteve na Grécia, mas foi em Paris que Marc Chagall viveu a maior parte de sua vida, morrendo em 1985, aos 97 anos, em Saint Paul de Vence, França.


Chagall e o Amor
Em 1915, aos 28 anos, em Vitebsk, sua cidade natal, Chagall casou-se com Bela Rosenfeld, sua musa e companheira adorada. Para o pintor ela era mais que um amor, era a expressão exata da felicidade, nela Chagall encontrou, além de uma esposa e mãe de sua filha Ida, uma crítica de arte, escritora e guia espiritual. Ela o inspirava... e isso fica marcado em sua obra. Bela foi personagem principal da felicidade que ele celebrou em inúmeros quadros ao longo de sua vida. Mesmo depois de sua morte, em 1944, Chagall continuou retratando Bela em alguns de seus quadros, onde a figura feminina nos remete à de um espírito, como por exemplo, na tela Buquê com Flores Voadoras, que ele levou anos para concluir (1934-47). Virginia Haggard, ajudou o pintor a emergir da profunda depressão que a morte de Bela o encerrou, com ela, o pintor teve um filho, David. Em 1952, aos 65 anos, Chagall casa-se com Valentine Brodsky com quem celebrou uma nova era de estabilidade e alegria de viver.

Chagall e sua prece
Já na velhice, indagado sobre como se sentia em relação a vida, ao seu trabalho e a morte, o pintor afirma:

"Estou satisfeito, e continuo acreditando na minha Santíssima Trindade estritamente pessoal: creio em Deus, na pintura e na música de Mozart. Não, não temo a morte. A única coisa que desejo é fazer livremente o que eu quiser. Minha prece é meu trabalho. Quanto ao resto, tudo continuará. Haverá outros Chagall. Sempre os há. Sempre haverá cores puras, música, poesia. Sempre haverá artistas atraídos pela luz".

Marc Chagall manteve um estilo único. Foi celebrado pelos impressionistas alemães, impulsionou o desenvolvimento do surrealismo, teve alguma influência do cubismo, mas sua obra não pode ser categorizada por um único movimento artístico. O romantismo e as alegorias típicas de Marc Chagall, imprimem em sua obra a mística, os sonhos, os símbolos e as referências de sua educação judaica tradicional, assim como sua memória infantil, campestre e coloridamente lúdico. Nos quadros, nas cerâmicas, nos vitrais... há sempre uma atmosfera enigmática, romântica, inefável que nos atraí como que ao mundo dos sonhos ou do inconsciente de cada um, um convite para um passeio entre o real e o imaginário, onde é possível brincar com as leis do tempo, do espaço e da força da gravidade.




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REFERÊNCIAS

CHAGALL, Marc. The ceramics and sculptures of Chagall. Monaco: A. Sauret, c1972.

______. The Jerusalem windows. 2. ed. New York: G. Braziller, 1975.

______. Marc Chagall: drawings and water colors of the ballet. New York: Tudor Publishing Company, 1969.

OS GRANDES artistas. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, c1991. v.

4 comentários:

Angela disse...

Gostei muito da exposilção não sabia muitas coisas sobre esse artista. Os trabalhos dele também estão expostos na biblioteca?

Rodney disse...

Quero parabenizar a iniciativa da biblioteca de manter esse espaço. Sobre a mostra do grande Marc Chagall, digo que visitei outros sites, mas nenhum deles apresentou o artista numa perspectiva tão human.

Vocês também estão no twitter? Vou seguir-los.

http://www.biografia.inf.br/marc-chagall-pintor.html

http://www.pitoresco.com.br/universal/chagall/chagall.htm

http://www.vidaslusofonas.pt/marc_chagal.htm

O Blog da Biblioteca da Católica disse...

Olá, Ângela!

A exposição está disponível apenas no blog. Ficamos muito felizes que tenha gostado. Volte sempre!

Grande abraço.

O Blog da Biblioteca da Católica disse...

Olá, Rodney!

Que bom que apreciou nosso trabalho. Volte sempre!

Sim, também estamos no twitter: http://twitter.com/bcunicap

Grande abraço.